Como as crises de pânico me aproximaram de Deus?

Aqueles que, como eu, já sofreram com crises de pânico sabem o tamanho da dor e do caos emocional. Aqui no site, por exemplo, já contei várias das minhas histórias e de outras pessoas que enfrentaram essa doença.

Entretanto, apesar de parecer estranho o que você está prestes a ler, hoje percebo que o pânico foi responsável por me dar um grande presente. Sim, um presente… No post abaixo eu explico mais sobre isso.

Porém, quero alertar desde já que se, por algum motivo, você achar que minha fé em Deus possa lhe ofender, recomendo que não siga com a leitura, ok? Aos que ficarem, vamos lá!

Se não vai no amor, vai na dor

Como contei em “Meu tratamento para crises de pânico com remédios“, em abril de 2024 passei por uma crise fortíssima. Precisei me afastar do trabalho por alguns dias e minha mãe “se mudou” para meu apartamento para me cuidar. Em certo domingo à tarde, durante o ápice de uma crise, cheguei a pedir a ela para me internar. Aquilo era desesperador e parecia que a única forma de sobreviver era estando dopado.

Minha mãe, apesar de muito forte, ficou assustada com o que estava acontecendo e ligou para minha namorada (hoje minha esposa) pedindo por ajuda. Minutos depois lá estava ela tocando o interfone e juntas as duas conseguiram me acalmar.

Ao anoitecer, minha mãe sugeriu que fôssemos a uma igreja batista próxima da minha casa, no culto das 19h. Àquela altura do campeonato eu faria qualquer coisa que pudesse ajudar, e, portanto, aceitei ir. E que bom que aceitei… Bastaram alguns minutos lá dentro para que eu desabasse em lágrimas. Chorei horrores e ao final do culto me sentia renovado. Minha mente parecia estar mais calma e pelo menos naquela noite eu estava em paz.

A coisa parecia estar melhorando

No domingo seguinte, apesar de uma semana de altos e baixos, lá estava eu novamente na igreja às 19h. Mais uma vez chorei muito e, felizmente, consegui voltar para casa mais tranquilo novamente. Era impressionante o poder que aquele ambiente tinha para me acalmar.

Pouco a pouco, as noites de domingo passaram a ter outro significado. Aquele lugar começou a se tornar uma certeza de que, naquele período de culto, eu estaria bem. A partir do terceiro domingo, por exemplo, consegui já não derramar mais nenhuma lágrima durante a pregação. O sentimento interno de angústia e medo começava dar lugar ao de gratidão.

Passei a me sentir tão bem que pouco tempo depois minha mãe pode voltar à casa dela mais tranquila. As crises pareciam estar indo embora e minha vida começava a voltar ao normal.

Uma pedra no caminho

Infelizmente, em maio de 2024 meu estado (Rio Grande do Sul) foi devastado por uma enchente. Nossa igreja ficou inundada e, obviamente, os cultos foram suspensos por um bom tempo. Precisei agir, pois ficar sem aqueles momentos de paz não era uma opção.

Descobrimos que nossa igreja possuía outro templo numa cidade vizinha, então passamos a congregar lá durante esse período. E posso dizer… QUE BENÇÃO! Gostamos tanto de lá que, mesmo após a reabertura do templo na nossa cidade, continuamos indo até a cidade vizinha para assistir aos cultos.

Aquele lugar já viu muitas versões de mim… Um Matheus feliz, angustiado, animado, com medo, sorrindo e chorando sem parar. Porém, pouco a pouco os domingos foram me mostrando que aquele lugar não era apenas um porto seguro nos momentos de crise. Estar ali era mais do que isso. Assim, no dia 15 de dezembro de 2024, eu e minha esposa nos batizamos nas águas e, como Paulo escreveu em II Coríntios 5:17: “… as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo“.

E hoje

Bem, desde então sigo minha caminhada em busca do Senhor. Confesso que durante as crises de pânico é difícil manter a fé o tempo todo, pois minha reação natural é buscar algo palpável e físico capaz de curar aquela dor. Não consigo evitar de me questionar o porquê estou passando por isso, mas entendo que esse é o processo de amadurecimento da fé.

Ainda tenho inúmeras falhas e muito para estudar, mas posso afirmar: O pânico me aproximou do nosso Criador e me trouxe um propósito de vida.

E você? Você crê que Deus tem um propósito na sua vida que vai além das crises? Haveria algo maior por trás disso tudo na sua vida? Te vejo no próximo texto.

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