No texto de hoje você confere o depoimento da gaúcha Michele, 49 anos, que topou compartilhar conosco parte de sua história com a ansiedade e com o pânico.
Esperamos que este depoimento seja de grande ajuda para você que, assim como nós, já sofreu ou ainda sofre com essa doença. Lembre-se: Você não está sozinho(a) e o Tchau, pânico! está aqui para ajuda-lo(a)!
Michele, a palavra é sua…
Meu conhecimento sobre crises de ansiedade e pânico começou há pouco tempo. Conforme fui me aprofundando no assunto, entendi que eu já passava por essas crises desde pequena. Porém, elas vinham com outros nomes, como “asma”, “crises respiratórias”, “loucura” e por aí vai.
Em fevereiro de 2025, após passar o carnaval com minha mãe e meus irmãos na praia, peguei o ônibus na madrugada da quarta-feira de cinzas de volta pra casa. Durante o trajeto, porém, comecei a me sentir mal dentro do ônibus… Coração acelerado, dor no peito, falta de ar e a sensação de que eu estava tendo um infarto e a beira da morte. Foram poucos minutos, mas que pareceram uma eternidade.
Eu estava sozinha. Liguei para o meu marido, avisei que estava me sentindo mal e que tinha a sensação de estar morrendo. Conversamos ao telefone e pouco a pouco comecei a me acalmar. Curiosamente, quando cheguei na rodoviária já estava bem novamente e não entendi o que havia acontecido comigo.
É hora de procurar ajuda
Passou-se um tempo após esse episódio e certa vez enquanto trabalhava comecei a me sentir mal novamente. Desmaiei e quando abri os olhos me vi dentro de uma ambulância indo para o hospital. Bem, aquilo não podia estar certo, então resolvi ir atrás para entender o que estava acontecendo comigo.
Descobri que estas faltas de ar, taquicardia e vontade de fugir eram parte de crises de ansiedade. Descobri também que conforme tratamos as situações difíceis da vida, nosso corpo vai armazenando memórias e quando os gatilhos surgem… BUUUUM… O corpo grita. E é terrível.
Então, após isso, passei a fazer acompanhamento psiquiátrico, terapia com psicóloga e PNL (programação neurolinguística). Por quase 1 ano fiz tratamento com Escitalopram, Canabidiol e Alprazolam até aprender a conhecer as emoções, os pensamentos e tentar controlar essa montanha de sensações.
Minhas armas
Infelizmente tive outras crises após esta, mesmo durante o tratamento. Apavorada, acordava no meio da noite completamente atordoada e várias foram as vezes em que fui para o hospital com a nítida sensação de morte.
Com o tempo descobri que minhas crises de pânico estão associadas à problemas que enfrentei durante a vida e que não ficaram bem resolvidos. Também entendi que minha necessidade de ter o controle das situações contribui para a ansiedade e que soltar esse controle e deixar ir pode ser muito mais leve.
Ao longo do tratamento aprendi técnicas para frear a crise e a refletir se os pensamentos merecem a atenção ou não. Caminhar, por exemplo, me ajuda muito a baixar a rotação e colocar os pensamentos em ordem.
É fácil? Com certeza não! Porém, posso dizer neste meu depoimento que é possível conviver com a ansiedade e com o pânico. Quando eles chegam, acolho, separo o que é meu, respiro, uso minhas técnicas e se nada der certo tomo um calmante, um chá e vou conversar com a psicóloga.
E por fim…
Já tive alta das medicações e sigo na terapia semanalmente com psicóloga. Hoje, porém, percebo que tudo isso me mudou… Me tornei uma pessoa mais quieta e, por vezes, triste. Com o tempo fui me isolando, ficando em silêncio e tentando entender o que estava acontecendo. Eu que gostava da vida, era festeira, gostava da casa cheia de amigos, hoje prefiro a paz da minha solitude, não tenho paciência para conversar e conhecer novas pessoas e não me alegro com quase nada.
Para os fãs de Harry Potter, é como se eu tivesse sido atacada por um dementador e alguma coisa aqui dentro foi embora… Ficou cinza… E eu aceitei esse lugar. Não sinto que estou depressiva, apenas sinto que perdeu o encanto. Na verdade, escrevendo aqui vejo pq as coisas ficaram cinzas…
Bem, esta é minha história e meu depoimento sobre o pânico. Espero que eu possa ter lhe ajudado(a) de alguma forma.